terça-feira, 3 de outubro de 2017

Discernimento


Discernimento


“Cual es pues la nueva missión de Don Quijote hoy en este mundo? Clamar, clamar en el desierto. Pero el desieto oye, aunque no oigan los hombres y un dia se convertirá em selva sonora, y essa voz solitária que va posando em el desierto como semilla, dará un cedro gigantesco que son sus cien mil lenguas cantará um hosanna eterno ao Señor de la vida y de la muerte.”

Miguel de Unamuno – Del sentimento trágico de la vida.


Qual é o percentual de pessoas que não conseguem separar o que é intuição do que é racionalização do ego? 98%.

A repressão dos sentimentos, a lavagem cerebral, a separação da razão e da emoção, o quase absoluto controle do ego sobre as decisões, etc., impedem que se sinta o que é intuição.

Temos 40 mil neurônios no coração. É preciso escuta-los. Todos os neurônios estão interligados. É por isso que temos uma sensação visceral sobre algo. Quando temos medo podemos ter uma disfunção gastrointestinal. Quando estamos dirigindo numa estrada as vezes sabemos antes o que o motorista da frente fará. Segundos antes de fazê-lo. Isso não é só premonição, isso é intuição também.

Quando pensamos num novo negócio o que sentimos depois de coletar todos os dados e analisar todas as informações? Essa é a fase racional de análise. Então devemos parar e sentir. Separar o que é desejo do que é intuição. A questão aqui é separar o “tenho de vender”, “tenho de ganhar dinheiro”, “tenho de conseguir”, “preciso vender”, “preciso ganhar dinheiro”, do verdadeiro sentimento da intuição. Essas necessidades do ego parecem normais e boas. É a mesma coisa do tipo “agora vai”, “depois do carnaval anda”, “ano que vem melhora” e assim por diante. O tipo de expectativa irreal baseada apenas em desejos do ego. Os estudos de viabilidade econômica são feitos para evitar-se esse tipo de escolha pelo desejo, pelo ego, etc. 

Se pensarmos bem não é tão difícil separar uma coisa da outra. A pessoa quer porque quer uma coisa. Mesmo quando é irracional continuar com a tentativa de obter é colocado mais esforço numa coisa que já se mostrou inviável. Uma coisa é ter esperança e outra a intuição. A esperança é a última que morre! É lógico, o ego é o último a morrer! Enquanto houver ego haverá esperança. Quando a pessoa solta o ego (seus próprios interesses) é que pode deixar o universo trabalhar em paz. E os resultados aparecerão com certeza. Somente quando para de por pressão e ansiedade, que são coisas do ego. O ego deve estar à serviço da pessoa e não o contrário.

Vejamos. Na vida é impossível ter tudo. Temos de fazer escolhas. O tempo é finito numa vida. Priorizamos determinadas atividades em detrimento de outras. É normal. Como disse um ator: “eu precisava ter 5 vidas para fazer tudo que quero”. Todos nós sentimos isso. A felicidade é saber fazer essas escolhas. A felicidade é uma sensação que todos gostariam que fosse contínua, mas na maioria dos casos temos momentos de felicidade. Se esses momentos são repetidos mais vezes um dia chegaremos a ser felizes o tempo todo. No começo pode ser um momento aqui e outro ali. Persistindo, vamos pegando o jeito de fazer com que repitam. Existe a possibilidade de ser feliz o tempo todo. Sentir esse sentimento de fundo. Na superfície podemos ter momentos de tristeza por algo passageiro, mas no fundo somos felizes. É diferente do depressivo que é infeliz o tempo todo e pode ter momentos de felicidade ou alegria passageira. Todos somos capazes de perceber o que é o sentimento de fundo em nós mesmos. Quando cessa o ruído mental e a atividade frenética do dia a dia o que você sente? O que sente às 3 horas da manhã quando muitas vezes acorda?

O paradigma, o sistema de crenças, a lavagem cerebral, impede que tenhamos mais momentos felizes. Se passamos a acreditar em qualquer estória criada para definir um paradigma (e toda civilização está cheia dessas histórias), já estaremos programados para sentir de uma determinada forma. Leiam Joseph Campbell sobre o que os mitos podem fazer numa civilização. Essas histórias moldam o sistema de crenças.

Na Grécia antiga, em Elêusis, o tratamento terapêutico consistia também em ouvir estórias e assistir peças de teatro. Essas estórias curavam o paciente. O subconsciente assimila a moral da estória e programa a vida da pessoa para agir em função da moral da estória. Isso nunca mudou. As estórias programam nossa mente, nossa vida, nossos sentimentos, nossa razão. É por isso que é tão difícil separar o que é intuição do que é ego. O ego está condicionado por essas estórias. 

O percentual de pessoas infelizes neste planeta em função destas estórias é gigantesco. A infelicidade que sentem é em função apenas disto. Elas acham que devem agir de uma determinada forma em função de uma estória. Isso está trazendo infelicidade e a pessoa continua persistindo, por mais que a razão e a intuição mostrem que aquele comportamento só traz infelicidade. São casos e mais casos de sofrimento sem necessidade. Quando a pessoa tem a oportunidade de ouvir uma análise isenta sobre o porquê está sofrendo o encanto acaba num segundo. Como um estalar de dedos o sofrimento cessa e a pessoa pode ser feliz. Mas, isso porque uma força externa quebrou a hipnose. Porque na verdade é uma hipnose. Existem várias maneiras de hipnotizar. A mente acredita em qualquer coisa que se puser nela e a forma mais eficiente é contar uma estória. A forma de escapar de uma situação assim é deixar a razão analisar o fato, a estória, a circunstância, o entorno, etc. A análise racional acaba com a hipnose. Mas, normalmente é preciso uma força externa do tipo uma falência, uma doença, uma catástrofe, dívidas, etc. Não há necessidade de coisas tão radicais para mudar um paradigma. Se deixarmos a razão agir ou sentirmos a intuição veremos a situação com outros olhos. 

Estamos condicionados desde a infância a pensar e sentir de determinada forma. Quando o condicionamento é positivo somos felizes. É fácil perceber se o condicionamento é positivo. Ele permite alegria? Ele é bom para todos? Ele promove o crescimento, a felicidade, a realização? Ou impede tudo isso? O sentimento existe para facilitar o discernimento. Alegria ou tristeza, amor ou dor, crescimento ou depressão, prosperidade ou pobreza, etc. E tudo isso dependendo de uma estória.

Era uma vez...

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Isso já foi dito na palestra passada e já postei sobre isso.

Quem está fazendo isso está prejudicando o trabalho.

Existe uma estratégia de divulgação feita por mim e que está sendo seguida à risca.

Todos os vídeos editados por outras pessoas devem ser tirados de qualquer mídia em que estiverem.

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