segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A lógica do sofrimento


A lógica do sofrimento


Vejamos um caso real. Qualquer semelhança com outros casos terrestres é mera coincidência.


Uma criança aos 4 anos de idade vê sua mãe ficar doente e não levantar mais da cama por 6 anos. Seu pai é ausente. Está sempre trabalhando. É criada pela avó, já uma senhora de idade.


Esta criança cuida da sua mãe todo o tempo.


Nesta situação a criança não tem ninguém que lhe explique como é o mundo, como funciona o mundo, que tipo de pessoas existem no mundo, etc. Ela faz uma projeção. Acredita que todos no mundo são bons, que querem ajudar aos demais, que se sacrificam pelos demais (justamente como ela faz), etc. Este tipo de visão de mundo inevitavelmente leva à desilusão, ao engano, à perda, à manipulação, ao sofrimento. Isso é o que se chama visão romântica da vida. E esse tipo de visão é muito persistente. Enxergar que o mal é uma coisa absolutamente real é uma coisa difícil de fazer e aceitar.


À medida que vai crescendo esta criança vai percebendo que o mundo não é exatamente como ela pensa que é. Sofre castigos físicos e morais. É condicionada a acreditar em certas coisas completamente erradas (quando se bate em alguém e fala-se algo, isso fica perfeitamente gravado no inconsciente). É o tipo de programação que leva tempo para ser desfeito.


Quando começa a trabalhar esta pessoa é explorada até os ossos. Cada emprego é mais explorador que o anterior. Mas, a pessoa acredita que é assim mesmo. E que deve dar o melhor de si em tudo o que faz. Quanto mais tempo passa mais problemas acumulam-se na vida desta pessoa. Na prática esta pessoa está sendo bem treinada para o que fará no futuro. Somente uma dose cavalar de realidade terrestre pode preparar uma pessoa para fazer algo construtivo no futuro. Um empresário espanhol disse que se alguém acha que será empresário de sucesso sem sofrer está completamente enganado. Disse que a pessoa receberá golpes a mais golpes durante a vida. E só assim poderá ter êxito. É o tipo de coisa que ninguém quer ouvir, mas é a mais pura verdade. 


Normalmente quando um pai tenta preparar os filhos para essa realidade, ele encontra forte oposição do resto da família. É taxado de ditador, tirano e coisas piores.


A falta de educação real para a vida só pode ser compensada pela leitura sem parar de livros de todos os tipos. Aprender nos livros como é a vida real. Como dizia Joseph Campbell: a vida como ela é. É exatamente o que esta pessoa fez. Aprende lendo e aprende na prática sofrendo. Se isso é visto como um ensinamento este sofrimento vale ouro. É um treinamento. Exatamente como se treinam as pessoas para irem para a guerra.


Sua mãe continua doente por 40 anos até falecer. A maior parte deste tempo na cama como inválida. Este tipo de situação leva a inúmeros conflitos de todos os tipos. Econômicos, familiares, etc.


Esta pessoa tem inúmeros empregos e trabalhos porque nesse ponto da vida já entendeu que somente tendo muita experiência poderá enfrentar o mundo. Desta forma faz tudo que é necessário para aprender cada vez mais. Em todas as áreas possíveis. Essa experiência vai sempre somando com o sofrimento que continua. São poucos os dias felizes. Um xeique árabe disse uma vez que seus durante 53 anos tinha tido 4 dias felizes.


Finalmente quando a pessoa chega na terceira idade ela entendeu exatamente como funciona o mundo. Tudo que passou antes foi uma preparação para entender o mundo.


A vantagem de trabalhar com pessoas é que se aprende rápido como é o mundo real. Exatamente como neste caso acima. Acredito que muitas pessoas tenham experiências semelhantes à estas. Com pequenas variações de detalhes, mas no contexto geral é igual.


Este tipo de experiência não é um castigo. Nem precisa ser um karma. É apenas uma preparação para a vida real no planeta Terra. Caso contrário a pessoa estará totalmente despreparada para enfrentar o que vem pela frente em qualquer vida. A consciência de que o mal é real é muito importante. Quando perguntei para essa pessoa se teria preferido que seus pais tivessem explicado detalhadamente quanto de mal existe no mundo, ela disse que sim. Que preferia ter aprendido tudo isso com 10 anos de idade, pois assim estaria melhor preparada para a vida. E não teria de aprender da forma mais difícil. Nesse ponto existem duas questões: se os pais estão dispostos a fazer isso e se a criança aceita ouvir a verdade.


Se a pessoa não está preparada para ver o mal de frente ela será um alvo fácil para todo tipo de enganos, manipulações e golpes. Esta é a verdade nua e crua. Acontece que ver a realidade nua e crua não é uma coisa fácil. É preciso fazer uma opção de vida de ver a realidade deste mundo como ela é.


E isso não é pessimismo, nem negativismo, nem derrotismo. É enxergar a realidade simplesmente como ela é neste planeta. E enxergando a realidade poderemos nos defender de todos os ataques. Existem muitas pessoas com uma visão de mundo totalmente reptiliana (Complexo-R) espalhadas por todo o mundo. Elas são difíceis de serem identificadas a princípio, mas se olharmos atentamente seu comportamento veremos exatamente como são. Só que muitas vezes isso pode ser tarde demais. O comportamento destas pessoas é extremamente destrutivo e pode acabar literalmente com a vida de quem entre em contato com eles. Econômica, social, etc. 


Todo sofrimento só pode ser superado se for aceito. Enquanto não é aceito faz com que seja reprimido para o inconsciente. Ficando lá por toda a vida até que seja aceito, elaborado, trabalhado e integrado. Desta forma estará resolvido. O sofrimento acaba e fica só a memória dos ensinamentos. Rejeitar um sofrimento que não podemos evitar só causa mais sofrimento. Existe uma razão para aquele especifico sofrimento estar acontecendo. É preciso olhar para dentro e analisar qual é a causa disso. E trabalhar para resolver a causa.


Buda e Lao Tsé entenderam isso perfeitamente. Explicaram que soltando o sofrimento, ele acaba. Soltar é equivalente a aceitar. A rejeição para porque a pessoa soltou. Ela se desapega do sofrimento e ele pode ir embora. Sócrates também entendeu perfeitamente isso e agiu de forma preventiva para não criar sofrimento futuro para si. 



Hélio Couto


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